Aurora 3
teus
olhos crus
saltitam
sob minhas coxas
tua
saliva corrói
meu paladar mudo
do beijo seu.
...
arrebento em suspiro,
e de tua carne
sangro... cada gota
de tua alma
deleite é deixar-te só
meu paladar mudo
do beijo seu.
...
arrebento em suspiro,
e de tua carne
sangro... cada gota
de tua alma
deleite é deixar-te só
Coisas
as
folhas, tão doces
molestam o ombro do vento
enquanto, este imoral,
como só ele é
arrebata os olhos do tempo
molestam o ombro do vento
enquanto, este imoral,
como só ele é
arrebata os olhos do tempo
a pétala
se abre
a janela
a porta
a coragem
a janela
a porta
a coragem
tudo...
as frutas
amadurecem
degoladas
nas cestas
forçosamente
prontas
para serem comidas
degoladas
nas cestas
forçosamente
prontas
para serem comidas
e a porta
se abre
a boca
a gula
a fome
a boca
a gula
a fome
o beijo
arrebata
a saliva expurga,
dentro do céu
a saliva expurga,
dentro do céu
Ana
Moraes - uma
mulher borboleta, casulo de seus sonhos, educadora, atriz, cursou a Faculdade
de Filosofia, mas só conta isso para quem confia. Gosta de comprar discos pela capa,
e prefere lua crescente a lua nova. Costuma dançar as vezes, e no frio louva
deliciosos copos de leite quente com chocolate. Gosta de conversar com
estranhos, mas não muito. Observa a sacola de compra das pessoas para tentar
descobrir suas vidas e angústias. Ana Moraes é uma mulher comum e diz pra todo
mundo que faz poesia.

Um comentário:
que legal, ana! parabéns, gata rebelde! kkkkkkk!
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