INFÂNCIA
no
precipício dos sonhos
onde
começa o corpo
secam
as lágrimas de sangue
exasperadas
enquanto
os bonecos cozinham
mais
pesadelos
a
memória dos caminhos antigos
são
penumbras extintas
para
os olhos
mas
a felicidade
escondida
atrás
dos rabos de elefantes viris
abre
as bananas na mesa
esperando
pelo meu amor
VIDA
a
fumaça chorando
pelos
olhos do escapamento
fragmentos
de passado
memórias
devastadas
meus
órgãos rolando
pela
estrada de casa
morada
antiga
iluminada
pelos cometas
a
rota dos ventos
hoje
a carne retorna
ao
seu anterior abrigo
esperada
promessa
união
eterna
sagrada
fusão de sangue e concreto
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desprender-se. imperativo. fogo
retorcido ao ar. vício de facas. (vagas as lembranças vagos os movimentos)
grito desapercebido dos dedos. são saudades de insetos. dança ingênua da
garganta. líquido esfumaçado do desejo. são os canos cantando no estômago.
VOZ
quando
tenho olhos de poemas
e
ausente
babando
cores do umbigo
as
unhas
bailarinas
do meu corpo
gritam
Macaio Poetônio nasceu em 1990 na
Paulicéia, sob o signo do centauro, filho de Mário, Murilo e Roberto. É um dos
fundadores do portal de literatura Poesia Primata (www.poesiaprimata.com) e
da Editora Primata, nos quais exerce as
funções de editor e diagramador. Por meio da última, publicou as plaquetes
Noturno (2014) e seu cadáver estava repleto de mundo (2015), e o livro Os bares
do Estado, a ser lançado em dezembro de 2016.

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