quando se espreme uma esponja sujaem cima de um papel, ela:1. mancha as folhas2. fica mais leve3. libera um líquido asqueroso4. continua parcialmente úmida
A pele é contágio.Um dia eu quis lhe mostrar issodizer que meus poros te absorvem osuor quando a pele é contágioFomos caminhando aquela tardeum telefone tocou e a mulherque me acompanhava segurou meu pulsoEu tinha o telefone nasmãos vibrante e ensandecido esuei frio ao atenderna última cena da peça. Interrompia peça e você me ligavate aguardo em frente a floriculturavocê sorria em frente a floriculturae todas aquelas flores pareciam tão tristespra mim que chegava lívidaem carne viva, eu-mucosamas ainda tropeçando nas coisastristes como aquelas floresque te emolduravam sorrindonão sei quando decidi por entrar na livraria eolhar de esguelha pras caixasque ladeavam a entradaqualquer coisa pra desviar dos seus olhos.Olha: eu carregava espremido na mãoum pedaço de flor com terraEu carregava aquilo comprimido na palmaa mão começava a suarvocê me olhava.Eu pensei na osmose entre minha mão e a pétalaa terra se mixava ao meu sanguenão posso dizer quanto nojo sinto de você agoramais que isso só mesmo...elas trespassavam a derme e éramos uma.
Liv Lagerblad é poeta e artista plástica, tem um livro
publicado pela Coleção Kraft (Editora Cozinha Experimental). Cursa graduação
em artes visuais com especialização em escultura na UFRJ. Colabora nos
coletivos Disk Musa e Oficina Experimental de Poesia, Rio de Janeiro.
"...quisera eu fazer poesias mais solares, infelizmente é tempo de poemas duros,mas tenho pensado em algum dia escrever poemas alegres.quando passarem as tempestades..."


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