No mais:
Tudo se transforma depois de Leonardo
Fróes. Que brilha os olhos dizendo estar feliz por receber tanto carinho sendo
ele, em suas próprias palavras, um “homem da roça”, no meio de “tanta
celebridade”. Sorrio. Sabendo muito bem usar as aspas nos devidos lugares.
No dia seguinte da sua mesa os jornais
anunciaramm coisas como “REDESCOBERTA NA FLIP”, “LEONARDO SAI DA TOCA”, “POEMAS
SOBRE BICHOS E PLANTAS”, “POETA RECLUSO”. Por um lado fico feliz com a merecida
e atrasada repercussão sobre a obra e a pessoa de Leonardo Fróes, que foi
altamente ovacionado na FLIP, acreditando que foi a coisa mais bela, bela y
bela que aconteceu em todos esses cinco dias e quiçá nestes 14 anos de festa, e
sigo celebrando a experiência emocionante, creio até para os olhos mais rasos, de
vê-lo tão vivo e verdadeiro neste lugar.
Por outro lado me pergunto se essas pessoas
que assinaram esses artigos assistiram a mesma mesa que eu?
“POEMAS SOBRE BICHOS E PLANTAS”- será que podemos reduzir o trabalho do poeta
desta forma? Fróes diz tratar com a experiência, que a escolha pela natureza
em sua poesia não é proposital mas acontece porque é o que ele fatalmente vivencia
diariamente, e que poderia ser qualquer outra coisa. Seus poemas
não descrevem, dissertam, revelam bichos y plantas – como fica parecendo nesta
primeira sentença - pelo contrário, seus poemas são revelados pela experiência, invocam,
penetram, mesclam-se nas relações humanas, na delicadeza-crueldade da vida, de um lugar
de compreensão y atenção profunda com todas as formas de organismos, concretos
ou abstratos. A natureza atua aqui potencialmente como vórtice de contato, como linguagem, que
é a partir de onde acontece a relação do poeta com o mundo.
“POETA RECLUSO” / “LEONARDO SAI DA TOCA” - Deste jeito até parece que Fróes fez a opção por ser um homem inacessível para o
mundo e que por esse motivo tenha de certa forma sido esquecido como poeta quando agora "de uma hora para outra" resolveu reaparecer. Será assim mesmo? Quem esteve presente no sábado de manhã teve o prazer de conhecer um dos homens mais disponíveis, generosos, amorosos, receptivos que a literatura brasileira já conheceu. Muito diferente de tantas “celebridades” que costumam ir a FLIP e que estão
sempre por aí na mídia. O que eles chamam de reclusão no caso de Fróes, e na
sua escolha de vida como “homem da roça”, para mim, não deveria ser interpretada como indisponibilidade ou confinamento e sim como um vasto desejo do poeta pela experiência, de encontrar a vida cara a cara, remanejando o caos e o lirismo com as próprias mãos, sem os intermediários, firulas e falseios habituais da sociedade.
“REDESCOBERTA NA FLIP” – onde é que estavam
as pessoas nesse tempo todo?
Julia Bicalho Mendes

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