Entre o peito e a garganta,Implícito às cordas vocais e a voz que não sai,Força-se a vir um verso incerto, falho.Maltratado pelo cotidiano e a pressa dos carros,Urgente como um grito na madrugada e ingênuo como aquele que por medo se cala.E entre existir e eu mesmo,Em decidir o que ser no curto espaço de tempo,Visto a roupa avessaE a familia mal planejada.Visto a música erradaA profissão equivocadaE a filosofia refutada.E sem saber decerto o motivo,Movido apenas por simples e tolo instinto,Pergunto aos ares de que valeu a escolha de tudo isto,Se todo o caminho tomado traz consigo o mesmo destino,Que sendo heroi ou vilão, oprimido ou carrasco,Ganhas, de um e de outro, a pena de morte como saldo.Mas o vento leve a bagunçar-me o cabelo,O amarelo enferrujado das folhas de outono,E as constelações distantes estampadas no céu,Revelam-me que novo demais sou pra saberE pequeno demais sou para compreender.
extraído do zine poético Azul, de Alice Rulli
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