se eu pudesse apenas brilhar,
parapeito,
seríamos eu e você
nesse mundo mais ou menos
que provoca ânsia em Deus.
se eu pudesse cantar
sem relógios
boletos
considerações
seríamos eu e o mar,
tresloucantes,
espumados
pontuais
se eu pudesse, vida
ser-te
não agarrava essa garrafa
pouca
média
rala
(se eu pudesse,
montanha
te alcançar
no cume do mundo,
no princípio, no
avesso
de mim
seria dia e lua pra sempre –
ou seja, agora)
se você pudesse, irmão
me dar a mão
eu nunca mais me importaria
com a pobreza
da rima
****
parapeito,
seríamos eu e você
nesse mundo mais ou menos
que provoca ânsia em Deus.
sem relógios
boletos
considerações
tresloucantes,
espumados
pontuais
ser-te
não agarrava essa garrafa
pouca
média
rala
montanha
te alcançar
no cume do mundo,
no princípio, no
avesso
de mim
ou seja, agora)
me dar a mão
eu nunca mais me importaria
com a pobreza
palmas
quando você me chega
com essa falta de calma
esse abraço meio beijo
essa calça meio saia
os meus olhos meus joelhos minhas misérias meus medos
minhas ideias meu sangue minha alegria meu enleio
minha vontade louca de vida
essa esperança cor-de-laranja
na minha fagulha divina
minha risível patrulha sempre-alerta que sempre erra na certa
meu balão minha bolha de sabão minha pipa
todo o meu reino
e o resto do meu
corpo inteiro
batem palmas
com essa falta de calma
esse abraço meio beijo
essa calça meio saia
os meus olhos meus joelhos minhas misérias meus medos
minhas ideias meu sangue minha alegria meu enleio
minha vontade louca de vida
essa esperança cor-de-laranja
na minha fagulha divina
minha risível patrulha sempre-alerta que sempre erra na certa
meu balão minha bolha de sabão minha pipa
todo o meu reino
e o resto do meu
corpo inteiro
batem palmas
****
a
fragilidade absoluta das coisas.
eu, coisa, a fragilidade absoluta de mim.
exclamo interrogações
é preciso ser vertical, como os prédios,
então treino: o pé direito à frente, depois o esquerdo
e assim
eu, coisa, a fragilidade absoluta de mim.
exclamo interrogações
é preciso ser vertical, como os prédios,
então treino: o pé direito à frente, depois o esquerdo
e assim
sucessivamente
vontade de abraçar o mar
até virar água
mas nasci bicho da terra
assim como os elefantes, macacos e
bois
sábios os elefantes, macacos e bois
que se amam
sem elucubrações
profetas
issos
aquilos
já eu, humana,
não me basto:
desenho sonhos,
vontade de abraçar o mar
até virar água
mas nasci bicho da terra
assim como os elefantes, macacos e
bois
sábios os elefantes, macacos e bois
que se amam
sem elucubrações
profetas
issos
aquilos
já eu, humana,
não me basto:
desenho sonhos,
penso nuvens
quero nadadeiras e asas.
invento nadadeiras e asas:
é preciso ser
é preciso ser
vertical
ao que eu me
ao que eu me
curvo
e protesto
edificando
poemas
Renata Tavares é poeta, mãe solo do Francisco e aspirante a
cozinheira. Paulistana, canceriana e gauche na vida, ganha o pão revisando e
preparando textos, mas tem na poesia (na Arte) seu ser-estar no mundo. Cursou
Ciências Sociais, Jornalismo e Letras, com mais ênfase nestas últimas, mas sem
canudo algum. Tem grande encanto pelo teatro, com períodos de namoro intenso e
outros mais tímidos, tanto com o palco como com a dramaturgia. No mais, é boba
de tudo: pouco afeita à lógica do capital, acredita que o mundo, a gente, pode
ser bem mais que issozinho aí
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