uma noite passeio
tínhamos
um tatame
inteiro
pela frente
trocamos
por um
ti-ti-ti
trágico
no meio fio
dias atrás
uma back-space noite
essa noite
escrevo volto apago escrevo volto apago escrevo volto apago. volto. eu volto.
volto pra molhar as plantas e a chuva chega antes e me enxota
uma noite a meia noite
chego
sem jeito
às dez
com sotaque
mineiro
ao revés
me ajeito
sem ponto
às onze
entorpeço
a teus pés
confessa
de cara
desejos
com acento
agudo
sem gênero
com gíria
lascívia
a cem
por cento
à meia-noite
conversa alheia
dispersa
...
diz "amoR"
com éRRe
Rasgado
Re-veRsa
uma noite pró-nomes
eu/ela
êne, conectada e prostituída debruçada sobre a inclusão virtual já vencida,
eu/ela êne excluída de sua/minha hippice forjada fornadas de hojes - selfies
instantâneas desde ontem forjará filtros. dispositivo impositivo touch.
aplicativos da vida moderna. eu/ela êne filtrada em anabéla éla pronta para
qualquer personagem, por exemplo, Mefisto, aquele do fausto. eu /ela êne-éle
mito, invisto em vestes. nós (,) cegos.
Michele Navarro é poeta, bailarina, atriz e
professora. É do A, B e C de São Paulo. Fez maternal, pré-primário, primeiro,
segundo e terceiro grau. Depois seguiu em formações livres enquanto esses
termos todos mudavam de nome. Tem 37 anos, é integrante da Cia Les Commediens
Tropicales, do Corpo Docente da Escola Municipal de Iniciação Artística e da
coordenação editorial da Editora Lamparina Luminosa. Em fevereiro de 2016 publicou seu primeiro
livro de poemas “noite uma.a.uma”. É
dada a misturas por natureza e conjunturas. Já pariu um ser humano, já publicou
um livro, nunca plantou uma árvore.
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