_do exemplo
voammaisberramdo que voamas maritacasque trafegamlivrementee mesmo assimrasgam a manhã[o tecer pertenceaos galos]transitammaispagamque transitamos bípedesque calamsuas matracasperante as catracasdo rotineiro afãas maritacasvoam porqueberrame no berrarincansávelacordam árvoresde raízes centenárias
_moendacana-de-açúcar - cano de metal - cana-de-açúcar - cano de metalpastoso melado goteja provoca erosões [na cavidade peitoral]cana-de-açúcar - cano de metal - cana-de-açúcar - cano de metalpinga sofrido na terra forma crateras [e cobre com cal]cana-de-açúcar - cano de metal - cana-de-açúcar - cano de metal
_uppe eles chegarusem espelho [nenhunzinho]tudo vestido de preto. sódava pra ver os zoio.chegaru sem cruz, sem catecismo.foi tudo limpo. sem engano.só subiru e mandarutodo mundo entrá e quietá eoiá sem vê. no começoteve uns que gostaru delesacharu que ia melhorá. tevequem deu até água [vê se pode]e não é mais o geiselo generalfaz tempo.e diz que o nome éoutro. acho queantes terminavacom ura urro urraagoratermina com ciaalgoassimnão sei.
_reificaçãoa fachada misteriosa da fábrica à beira da marginal taiocafabricava assombrações em minha imaginaçãoseu terreno cercado por bambuse lacrado por um espesso portão pretoparecia guardar enigmas indizíveisanos depois descobri que não havia nada demaisnaquele lugar: era uma simples fábrica de móveisde tamanho medianode onde saiam sofás, camas, mesase trabalhadores exaustos em série
_ararapiraquase tudo fora deixado para trásno vilarejo de ararapirasomente o cemitério centenáriocontinua a ser útil para os moradoresda região [ex-moradores do vilarejo]quando precisamenterrar um novo mortocavam com suas próprias pásas covas& não são raras as vezesque defrontam-se com ossos & caixõesde mortos sem nomes, sem rostosde mortos que precisam ceder lugar aoutros mortosmortos que estão comotodos os mortos um dia ficarão:esquecidose desgastados pela erosãodo silêncio daqueles que vivosainda estão_rondasórbitas de óbitoseclipses& um buraco no negro
Thiago Cervan
(1985) é educador popular. Natural de São Bernardo do Campo,
atualmente reside em Atibaia/SP. Publicou dois volumes de poemas,
Sumo Bagaço
(Poesia Maloqueirista, 2012) e Dentro
da Betoneira (Incubadora de
Artistas, 2014). Também desenvolve experimentos poéticos em espaços
urbanos usando técnicas como stencil, lambe-lambe e sticker. Estes poemas fazem parte do livro
Dentro da Betoneira
que pode ser baixado gratuitamente no link:
http://pt.scribd.com/doc/265932236/Dentro-da-Betoneira-Thiago-Cervan#scribd

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