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| Colagem de Tadeu Renato |
A
velha serpente mergulha na taça de vinho.
Sorvo, quase me esquecera. Veneno antigo.
In Vino, véritas – Abrem-se táticas de guerra.
Lembro hoje do que pôde ser dito e não dito.
Nenhum acordo, nenhuma paz, nenhum conforto.
Sem choro, sem passado, sem papo, sem armistício.
Nada além do poder de nossas armas foi permitido.
A velha serpente mergulha na taça de vinho.
Só com veneno curam-se feridas na memória do ferido.
Sorvo, quase me esquecera. Veneno antigo.
In Vino, véritas – Abrem-se táticas de guerra.
Lembro hoje do que pôde ser dito e não dito.
Nenhum acordo, nenhuma paz, nenhum conforto.
Sem choro, sem passado, sem papo, sem armistício.
Nada além do poder de nossas armas foi permitido.
A velha serpente mergulha na taça de vinho.
Só com veneno curam-se feridas na memória do ferido.
Como todos grãos crescem
internamente,
amadurecem e rebentam a casca
da romã.Deve haver alguma dor neste exposto corte.
Dor natural que toda noite se cura de amanhã.
Deve sempre haver na noite alguma morte.
Se não, não se vestiria o céu no luto atro.
A dor nas poesias que de madrugada eclodem.
Se não de não dormir, de implodir, ou do parto.
Não
venha com palavras altas.
Gosto das sussurradas. Baixas.
Sons de relva crescendo entre pedras
Bichos se aninhandoem tocas
Vermes andando abaixo da terra.
Ruído de inverno nas tábuas.
Gosto das quase não ditas,
As sentidas abafadas. Caladas.
Uma martelada no dedo - Silêncio.
As separações mudas. Lágrimas.
A falta das palavras. As ausências.
Gritado nada diz. Rija.
Gritam surdez e indiferenças.
Tem outro sabor as macias.
Tem outro paladar. Sem depois.
Horas e horas em que seus olhos contam
noites e luas de respirações em meus ouvidos.
O regato tranquilo. O murmúrio.
Nenhuma folha cai com barulho.
Gosto das sussurradas. Baixas.
Sons de relva crescendo entre pedras
Bichos se aninhando
Vermes
Ruído de inverno nas tábuas.
Gosto das quase não ditas,
As sentidas abafadas. Caladas.
Uma martelada no dedo - Silêncio.
As separações mudas. Lágrimas.
A falta das palavras. As ausências.
Gritado nada diz. Rija.
Gritam surdez e indiferenças.
Tem outro sabor as macias.
Tem outro paladar. Sem depois.
Horas e horas em que seus olhos contam
noites e luas de respirações em meus ouvidos.
O regato tranquilo. O murmúrio.
Nenhuma folha cai com barulho.
Eu
não sou aquele que escreve poesias,
Sou este aqui. O rude, o provocado, o sujo.
Sou este cedo da casa para o trabalho
Sou este noite cansado. Mau humorado
Do trabalho para casa. O bêbado, o cujo.
Uma parada no bar. Duas paradas no bar.
O que chega tarde. Come comida fria.
Ouve palavra fria. Deita na cama fria.
Que não paga a farmácia, o condomínio.
A escola dos filhos, a conta do mercado.
Sou o aviltado. O triste. O autocomiserado.
O cara do salário. O que toma banho gelado.
Eu não sou aquele que escreve poesias,
Aquele já bateu as portas e foi embora.
Aquele me esqueceu faz horas.
Sou este aqui. O rude, o provocado, o sujo.
Sou este cedo da casa para o trabalho
Sou este noite cansado. Mau humorado
Do trabalho para casa. O bêbado, o cujo.
Uma parada no bar. Duas paradas no bar.
O que chega tarde. Come comida fria.
Ouve palavra fria. Deita na cama fria.
Que não paga a farmácia, o condomínio.
A escola dos filhos, a conta do mercado.
Sou o aviltado. O triste. O autocomiserado.
O cara do salário. O que toma banho gelado.
Eu não sou aquele que escreve poesias,
Aquele já bateu as portas e foi embora.
Aquele me esqueceu faz horas.
Nelson Botton - Poeta (quase vivo) de São Paulo - Publicou o livro "Plano de fuga".

Um comentário:
👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏
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