mergulho 7 |Desenho_ Lia Testa|
mayaé bicho e gente na sua dançabatuqueira bandalheira roda gira moveé gente e bicho na sua dançatem cheiro de salmouraé gente gente na sua vadiagemmata come cava colhemiríades de beleza maquiadaé bicho que come bichotamborilando no couro na carneencarnada bate bate bota fora a falade ba.lan.gan.dãsfitas folhas figas uma flor lilás na cabeçasantos nas pulseiras a tilintarberenguendéns berenguendéns berenguendénspara olhos negros e negros de corpara bardos lascivos ver balançarcorpo que rodopia para e rodopiacom véus porque é gente e bicho e dança
admirável predador | Colagem_ Lia Testa |
perscrutas os meus silênciosos meus não-ditosas minhas palavras trajadas à escafandroo plural das minhas janelasas possíveis margens dos meus riosas minhas falas deso meu mergulho, o meu vôo, as minhas asas, as minhas guelras,que sobem e descemna beira do pouso das nossas conversasum peixe que pesca a minha redeum novelo que desenrola o gesto da minha línguafio a fiofundo na minha composição nósa bombordo a estibordoolhando a minha popaolhando a minha proaali ai aqui lá acoláquiçá traçando barlavento e sotaventosopra e come as minhas letraso meu rastro, capitão
above the water or dolphins communicate | Colagem_ Lia Testa |
: palavras se incendeiamno ranger dos dentes:: palavras se incendeiamno roçar das horas:: palavras se incendeiamno rasgo do meu ventre:abrasiva mordidanesse lugar do não-ditolíngua de oco osso sem fundouma constelação de linhasuma fala que fodee a boca goza gostosopor dentro por forapelos lábios pelas guelras pelas ventanasvaliaper sivivaabailar-asi cantadana corporificáveldança do ruminara fala-gritoa fala mansaa fala de merdaa fala rabudaa fala de paua fala fodidaa fala de pedra pluma pimenta & a do caralho a quatro
palavra_presa | Colagem _ Lia Testa|
encarar o difícil do brancoa coluna vertebral do brancoaos poucos entrar em suas camadassaber da sua vasta temperaturaescutar suas nascentes sentindoa erupção lançada o quente o vaporo ar cravando a língua e verbaro jorro do negro do nanquimrequerente de uma hidrogeologiade subducção deslizável para iniciaro alastramento oceânico fraturar-sedesaparecendo em todas as direçõesopostas antepostas afastando-sena vizinha da superfície jaz mortabranca e bramindo de uma outra crostanem sempre linear escarpar os valesativar os pontos os açores as cristaso grande rio o mar vermelhovertendo focos sísmicos choquenas fissuras lavas vulcânicaselevar a pressão e ver a subida deum jato violento atingindo os buracosnegros as caixas pretas os espaços deum camaleão bombeado pela expansãodo universo de um desce-sobeum Big Rip ou grande rasgo no tecidoex-branco uma quinta-força dentrodos aglomerados das letrasa esparramar as micro-ondinassolares quem empurram o poeta e o leitor
Lia Testa é autora do livro de poemas Guizos da carne: pelos decibéis do corpo (Publicações Iara, 2014). Como artista visual, participou do “XII Circuito Internacional de Arte Brasileira na Áustria, na China e na Tailândia” e de exposições e mostras de arte no Paraná, em Goiás, em Brasília e no Tocantins. Doutora em Comunicação e Semiótica (PUC SP), é professora de Literatura Portuguesa, Brasileira e História da Arte, na Universidade Federal do Tocantins (UFT).




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