I-I
Tantos
descobrindo a pólvora
fogo de artifício sobre as casas
estrondo
descobrindo a pólvora
fogo de artifício sobre as casas
estrondo
outros
acendendo faróis
a luz que ilumina os passos
o que se revela com força
não tem ruído
acendendo faróis
a luz que ilumina os passos
o que se revela com força
não tem ruído
o milagre é interno
mostrar o estigma
é
demagogia
- não explique sua alma
posso cheirá-la
como a menta fresca
na língua
enquanto a pedrinha de gelo
derrete
mostrar o estigma
é
demagogia
- não explique sua alma
posso cheirá-la
como a menta fresca
na língua
enquanto a pedrinha de gelo
derrete
I-II
Alguns
disfarçando a ironia
em novas formas
inteligência reacionária
vazia
Sua verdade
minha verdade
a verdade forçada
é um bebê anão
cambaleando
em uma câmara de Gesell
minha verdade
a verdade forçada
é um bebê anão
cambaleando
em uma câmara de Gesell
inclinada
nosso cubículo
de sentenças
dinamita o olhar
depois
de amanhã
de sentenças
dinamita o olhar
depois
de amanhã
Atirar
a pedra longe
não destrói
a neblina:
a atravessa
e se perde
a pedra longe
não destrói
a neblina:
a atravessa
e se perde
permanecemos
ainda cegos
levantando poeira
vestindo fantasmas
com trajes minerais
construindo fortes
na fronteira dos medos
levantando poeira
vestindo fantasmas
com trajes minerais
construindo fortes
na fronteira dos medos
Somos feitos
da mesma matéria
da qual queremos
desfazer-nos
o movimento
é mudança de densidades
em um corpo saudável
depois
de compreender
a estrutura
atômica do veneno
da mesma matéria
da qual queremos
desfazer-nos
o movimento
é mudança de densidades
em um corpo saudável
depois
de compreender
a estrutura
atômica do veneno
II
Sou erro
a falha no jaleco
a agulha o fio
a pinça
que ajusta o vestido
à borda mutante
que se regenera
e conserta:
a única dor inútil
é a tristeza estéril
a pólvora molhada
de uma imagem acessória
presa com alfinete
à imediatez da novidade
que não respira
depois do seu quarto
de hora
O resto
às vezes involuntário
espasmo
é tração que gira
a mudança das colheitas
quando chega o equinócio
de maior potência
então
o erro que irrompeu
a linha contínua
introduzo
o gume da verdade
com que corto
a gelatina
que me separa
do mundo
IV
Você descobriu a pólvora
que bom
lhe entrego o prêmio
espero que saiba
fazer fogo
bem no centro do rio
Precisamos de brânquias
uma verdade violenta
uma concha vazia
sobre a praia
para reconhecer o corpo
fazendo sombra
na relva
deixando marcas
mais potentes
que o dogma transparente
da indolência
que a espessura
possa flutuar
sobreviver
enquanto os terraços
fiquem
debaixo d’água
um planeta
sobrecarregado
em sua circularidade
uma raça melancólica
que aparentemente
tem saudade do mar
a origem de sua vida
ou uma multidão idiota
capaz de destruí-lo
todo
VI
A duração não é
o ermo preciso
da extensão
de um momento
Toda uma tarde foi
a chama do fogareiro
fervendo água
de novo e de novo
Toda a educação foi
um inverno
olhando minha avó
escolher as folhas
verdes
entre a pastagem seca
Todo o amor foi
levar você
a um lugar do bairro
onde nunca
tinham me visto
debaixo da sombra branca
de um jasmim
cruzamos a fronteira
nunca mais
nos falamos
Toda a calma foi
receber o impacto
esperar
limpar o cruzamento
da roupa
olhar os restos
reconhecê-los
e enterrá-los:
não há manto santo
que cubra os atos
para sempre
Há uma vereda triste
uma esquina de ladrilhos
onde me mataram
há uma casa
com janelas abertas
onde ninguém mais
escuta os domingos ao
lado
há um ângulo do teto
onde se junta o sol
e se faz um ninho
que reúne as aranhas
e as torna mansos
cristais
tecendo trama irrevelada
A vida é um animal
selvagem
movendo-se às cegas
na direção correta
Trad. Marcus Groza
Fragmentos de: 7 Movimientos en las góndolas
del supermercado |Fragmentos|
I-I
Tantos
descubriendo la pólvora
fuego de artificio sobre las casas
estruendo
otros
encendiendo faroles
la
luz que ilumina los pasos
lo que se revela fuerte
no tiene sonido
el milagro es interno
mostrar el estigma
es
demagogia
-no expliques tu alma
puedo olerla
como la menta fresca
en la lengua
cuando el cubito
se deshiela-
I-II
Algunos
disfrazando la ironía
en nuevas formas
inteligencia reaccionaria
vacía
Tu verdad
mi verdad
la verdad forzada
es un bebé enano
tambaleando
en una cámara gesell
inclinada,
nuestro cubículo
de sentencias
dinamita la mirada
después
de mañana
Arrojar
la piedra lejos
no destruye
la neblina:
la atraviesa
y se pierde,
permanecemos
igual de ciegos
levantando polvo
vistiendo fantasmas
con trajes minerales
haciéndose fuertes
en la frontera
de los miedos
Estamos hechos
de la misma materia
de la queremos
deshacernos
el movimiento es
cambio de densidades
en un cuerpo sano
después
de comprender
la estructura
atómica del veneno
II
Soy error
la falla del chaleco
la aguja, el hilo
la pinza
que ajusta el vestido
al borde mutante
que se regenera
y acierta:
el único dolor inútil
es la tristeza ésteril
la pólvora mojada
de una imagen accesoria
prendida como alfiler
a la inmediatez
de la novedad
que no respira
pasado su cuarto
de hora
El resto,
a veces involuntario
espasmo
es tracción que gira
la muda de cosechas
al equinoccio
de mayor potencia
Entonces
el error que irrumpió
la línea continua
introdujo
el filo de la verdad
con que corto
la gelatina
que me separa
del mundo
IV
Descubriste la pólvora
que bien,
te entrego el premio
ojala sepas,
hacer fuego
en el centro del río
Necesitamos branquias
una verdad violenta
una caparazón vacía
sobre la playa
para reconocer el cuerpo
haciendo sombra
en el pasto
dejando marcas
más potentes
que el dogma transparente
de la indolencia,
que la espesura
pueda flotar
sobrevivir
mientras las terrazas
quedan bajo agua
Un planeta
sobreexigido
en su circularidad
una raza melancólica
que al parecer
extraña el mar,
el origen de su vida
o una multitud idiota
capaz de destruirlo
todo.
VI
La duración no es
páramo preciso
de la extensión
de un momento
Toda una tarde fué
la llama del anafe
hirviendo el agua
una y otra vez
Toda la educación fué
un invierno
mirando a mi abuela
elegir las hojas verdes
entre las matas secas
Todo el amor fué
llevarte
a un lugar del barrio
donde nunca
me habían mirado,
bajo la sombra blanca
de un jazmín del país
cruzamos la frontera,
no volvimos
a hablarnos.
Toda la calma fué
recibir el impacto
esperar
limpiar las cruces
de la ropa
mirar los restos
reconocerlos
y enterrarlos:
no hay manto santo
que cubra los actos
para siempre
Hay una vereda triste,
una esquina de ladrillos
donde me mataron,
hay una casa
con las ventanas abiertas
donde ya nadie escucha
los domingos de al lado,
hay un ángulo del techo
dónde se junta el sol
y se hace un nido
que junta a las arañas
las vuelve mansos cristales
tejiendo trama irrevelada
La vida es un animal
salvaje
moviéndose a ciegas,
en la dirección correcta.

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