Equador dos espantos
Sondando o improvável
em latitudes sombrias
recobro
antigas visões
e
dialogo com um bardo orelhudo
sob
frenético pulso intuitivo
disse-lhe
que o mar é uma estrela
dançando
no centro de um
céu
naufragado
e
ele replicou com o choro insano
que putrefa o líquen nas carruagens
da noite
- a solidão
é uma porta de
mármore
inrustida no
negrume
das ruas
-
nuvens de estopa
sepultam
tomates no escuro
- o lírio
silvestre engoliu
o
paletó da terra!
e
nesse instante o vento
cuspia capetas de espuma
na
relva fria
peixes
vadios ganhavam os
ares
beijando estátuas de enxôfre
com pés de sino
vertendo
rosas
mergulhei na penumbra e
em um segundo (contemplando eras)
renasci do musgo
Be bop a Kerouac
Pobre Jack
sua respiração não acompanhou o tempo das vagas perenes
seu fraseado e fôlego
seu pulso sua alma voaram longe sempre longe da vida
mesmo que valsasse nela ao seu jeito elétrico
de Lowell pra NY, daí pra Tanger
Frisco pra Hazomeen mirando Walden
dos salmos aos sutras
dos subterrâneos pra estrada
dos picos (de consciência e montanha)
para o lago inerte do álcool em sua inépcia em meter de vez
o pé na estrada sem caronas e de uma só divisa
apenas vagabundo do Dharma
adicto da solidão
sua respiração não acompanhou o tempo das vagas perenes
seu fraseado e fôlego
seu pulso sua alma voaram longe sempre longe da vida
mesmo que valsasse nela ao seu jeito elétrico
de Lowell pra NY, daí pra Tanger
Frisco pra Hazomeen mirando Walden
dos salmos aos sutras
dos subterrâneos pra estrada
dos picos (de consciência e montanha)
para o lago inerte do álcool em sua inépcia em meter de vez
o pé na estrada sem caronas e de uma só divisa
apenas vagabundo do Dharma
adicto da solidão
Desde Homero...
Desde Homero
até o filho fátuo que inspira-me do limbo escuro
Calíope cospe insensata
haikais da sacada
e nos cria
estalos de chuva imaginada
nos confins da fome
...e
não me basta a relativa barganha do verso
minha matemática não sustenta os caminhos desta sombra faminta
os desejos de um vazio andante
as miragens de uma sede infinita
minha matemática não sustenta os caminhos desta sombra faminta
os desejos de um vazio andante
as miragens de uma sede infinita
viver é blefar
até o último instante
até o último instante
Nascido em Jacareí, SP em 1972, mora em São José dos Campos desde 1992. Publicou poemas e haicais em periódicos de literatura dessa cidade durante a década de 90. Em novembro próximo lançará o livro Cantata dos Ventos, uma antologia de poemas escritos nos últimos 22 anos. Desde 2002, trabalha como Agente Cultural na Fundação Cultural Cassiano Ricardo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário